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EMBRAPORT - Empresa Brasileira de Terminais Portuários
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Santos terá primeiro sambaqui preservado como patrimônio arqueológico por um terminal portuário
novembro/2008

Um sambaqui será preservado como patrimônio arqueológico no terreno da EMBRAPORT (Empresa Brasileira de Terminais Portuários), empreendimento do Grupo Coimex que está sendo construído na margem esquerda do Porto de Santos, na parte continental do município. Este será o primeiro sambaqui a ser preservado por um terminal portuário em Santos.

Por ocasião do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), sítios arqueológicos do tipo sambaqui foram identificados na área do empreendimento pela Documento, empresa de consultoria arqueológica, histórica e cultural, contratada pela EMBRAPORT. No processo de licenciamento ambiental (LI), a Documento preparou um Programa de Pesquisa e Resgate do Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural e o submeteu à aprovação do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais.

Este programa incluiu um total de sete sítios arqueológicos do tipo sambaqui e um sítio histórico. Todos estes sítios foram devidamente pesquisados e um deles, localizado na área destinada pela empresa como de preservação permanente foi integrado no IPHAN como patrimônio arqueológico, devendo ser integralmente preservado. Os demais serão monitorados anualmente pela empresa.

Em todos os sambaquis pesquisados foram encontrados vestígios de ocupação humana. Em um dos sítios, localizado na Ilha Diana, foram encontrados ossos e dentes humanos que remontam a 1.800 anos atrás na região, período considerado como o final da ocupação do chamado “homem do sambaqui”. Esta foi a datação mais antiga registrada nas pesquisas feitas pela equipe de arqueólogos nos sítios pesquisados. A datação mais recente nos locais foi de mil anos atrás.

Pesquisas arqueológicas na região da Baixada Santista atestam que a ocupação em sambaquis na região ocorre desde aproximadamente 4,5 mil anos atrás. A descoberta e datação dos sambaquis pelo Programa Arqueológico Embraport são importantes por conta do período que retratam, o final da ocupação dos sambaquieiros, época anterior à ocupação de diversos destes sítios arqueológicos por antepassados de tribos indígenas atuais, população diferente do chamado homem do sambaqui, que é considerado extinto.

A preservação do sambaqui EMBRAPORT 1, como foi denominado o sítio arqueológico pesquisado na região onde será construído o terminal portuário, significa que o local ficará intacto permanentemente, podendo, caso haja interesse e seja autorizado pelo IPHAN, servir para pesquisas no futuro. De acordo com a arqueóloga Érika Robrahn-González, coordenadora-geral do Programa de Pesquisa e Resgate do Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural do Terminal Portuário EMBRAPORT, a preservação desse sambaqui representa um avanço para o município de Santos, já que boa parte destes sítios foi degradada desde o início da ocupação da região, com a colonização portuguesa.

Compartilhando conhecimento com as escolas

O programa vem sendo desenvolvido desde 2003 e, além do conhecimento científico sobre a arqueologia e a história da região de Santos, servirá também de base para um projeto que compartilhará esse conhecimento com alunos de escolas das redes municipal e estadual.

Isso vai ocorrer por meio da “Semana de Arqueologia - Santos/2008” que será promovida entre os dias 3 e 8 de novembro nas escolas municipais Monte Cabrão e Ilha Diana e na escola estadual Marechal do Ar Eduardo Gomes. Ao todo, 1.303 alunos vão participar de atividades sobre arqueologia, história e cultura da região pesquisada.

As atividades serão desenvolvidas pelos professores das três escolas, previamente capacitados por profissionais da Documento e de arqueólogos de países como Cuba e Portugal, sobre os temas relacionados ao patrimônio arqueológico e cultural da região.

Ao longo da Semana de Arqueologia participarão também 15 profissionais da área de patrimônio cultural (arqueólogos, geógrafos, historiadores, educadores) para, juntamente com os professores das escolas, explorar os temas relacionados à pré-história e história da região, conviver com a prática arqueológica e informar sobre os resultados das pesquisas realizadas.

Especial destaque será dado ao patrimônio histórico e cultural da Ilha Diana, comunidade pescadora que habita a Vila Diana, localizada na beira do canal de mesmo nome.

Estará sendo ainda entregue para os alunos um material de apoio patrimonial, contendo dados sobre Arqueologia e a ocupação pré-colonial da Baixada Santista, além dos resultados das pesquisas desenvolvidas. Todas essas atividades buscam contribuir para favorecer o reconhecimento, a valorização e a preservação do patrimônio arqueológico, histórico e cultural na região.

 

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